Os
professores de português, pelo menos há algumas décadas – parece
que está mudando, não é? - ensinam a formação das palavras, a
fazer análise sintática, cobram concordância... Mas não situam o
que esse estudo significa. Quando eu estudei na escola, parecia um
ensino mecânico, sem propósito. Como ter gosto ao ser obrigado a
“aprender” algo que parece dissociado do uso? Hoje, parece até
absurdo que isso fosse possível porque o ato de se comunicar é
quase tão comum como o de respirar.
Segundo
Martelotta (2015), Aristóteles já buscava descrever a forma pura e
geral do pensamento, não se preocupando com os conteúdos por ela
veiculados. E para ele, a linguagem seria uma mera representação e
um mundo já pronto, um instrumento para nomear ideias existentes. De
acordo com o autor esses princípios são chamados de realismo ou
fundacionalismo.
Ao
lado da preocupação filosófica, a gramática grega já apresentava
uma preocupação normativa. Ou seja, já queria impor um padrão de
língua ideal.
Na
época medieval, o latim adquiriu mais prestígio por ser adotado
pela igreja. Assim, a atitude normativa permanece, mas com o intuito
de conservar o latim puro. E assim, a gramática latina serviu de
base para várias outras línguas porque indicava status ser parecida
com uma língua latina.
A
visão aristotélica foi reproduzida mais tarde no século XVII, até
perder a força com o surgimento dos linguísticas no século XIX.
Parece
que havia um medo de se
render às mudanças
socioculturais. A língua é um fenômeno sociocultural. Ainda não
consigo pensar que uma gramática possa ser separada disso. Mas
parece que existia um sentimento de conservação a todo custo.
Será
que era para não tornar a língua muito “popularesca”, já que a
erudição está ligada a classes mais abastardas??
Creio
então que essa primazia pela forma, pela norma, pela regra até em
detrimento ao uso deve vir de razões históricas. Não que a
Gramática deva ser dispensada. Todo idioma precisa de um parâmetro,
de estudos que sejam catalogados – sem dúvida. Mas que essa
gramática seja ligada e ensinada ao texto, ao uso. Que a gramática
nos sirva, e não o contrário.
Excelente postagem.
ResponderExcluirÉ muito bom levantar essa questão. A gramática existe por causa da língua (porque essa surgiu primeiro) e não o contrário.